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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quem vai dirigir esses caminhões?

Enquanto no Brasil mais de 600 mil novos caminhões foram para a estrada entre janeiro de 2007 e agosto de 2011, apenas 138.332 CNHs de caminhoneiros e carreteiros foram emitidas no mesmo período

Em 2006, a capa da edição 117 da Carga Pesada trazia a seguinte manchete: “Procuram-se bons motoristas”. Naquela época, já se falava do grave problema da escassez de mão de obra no setor. Diretores de transportadoras diziam que chegavam a ter 15% dos caminhões parados por falta de empregados.

Com o grande aumento da frota nos últimos anos, pode-se ter certeza de que o problema se agravou. Dizer quanto é que é o problema. Não se sabe sequer quantos motoristas no transporte de cargas existem no Brasil. As principais entidades patronais (NCT&Logística e CNT) não arriscam um palpite. Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte (CNTT) estima haver dois milhões de funcionários com carteira assinada no segmento de carga, mas isso não quer dizer só motoristas. Na preparação desta reportagem, a Carga Pesada se esforçou para jogar alguma luz nesse assunto.

O primeiro indício de que a escassez de mão de obra cresceu está no site da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Ali se descobre que, desde 2007, a cada ano o número de caminhões novos que entraram no mercado brasileiro aumentou – com exceção do registrado em 2009, ano seguinte à crise financeira internacional. Hoje, são fabricados no Brasil 60% mais caminhões por ano do que em 2006.

O portal do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) também mostra o crescimento da frota. Em janeiro de 2007, havia 1.773.606 caminhões e 281.364 caminhões tratores, totalizando 2.054.970. Em agosto de 2011, os números passaram a 2.230.647 e 443.044. Somando as duas categorias, são 2.673.691 veículos, 618.721 a mais que em 2007.

Ao mesmo tempo, o próprio Denatran informa que o número de emissões de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias C (caminhões) e E (carretas) foi muito mais tímido. De dezembro de 2006 a agosto de 2011, os Detrans de todo o País entregaram 58.245 novas carteiras C e 80.087 novas carteiras E, totalizando 138.332 CNHs. Em dezembro de 2006, havia, no total, 2.583.864 carteiras C e E. Em agosto de 2011, o número era de 2.722.196 – crescimento de 5%. É bom lembrar que parte dos motoristas que obtêm a C dirigem caminhonetes.

É razoável pensar que, de 2006 para cá, uma certa quantidade de caminhões deixou de circular. Mas, sem que exista algum programa de sucateamento em curso no País, certamente esse número é muito menor que o de 600 mil caminhões novos.

E o que foi feito nesses anos todos para enfrentar o problema da falta de motoristas? Pouca coisa. Somente agora, neste semestre, a CNT resolveu se mexer e lançou o Programa de Formação de Motoristas, por meio do Sest/Senat: um curso gratuito para quem possui CNH C, E ou D (no caso de transporte de passageiros).

É claro que não é só o setor de transporte de carga que enfrenta problema de mão de obra capacitada no Brasil. Mas também não se pode negar que a profissão de caminhoneiro tem ficado menos atrativa. Os salários em torno de R$ 2 mil podem parecer interessantes porque não se exige alto grau de instrução, mas ter de enfrentar 16 horas diárias no volante, ficar semanas sem voltar para casa, dormir e comer mal e correr o risco de acidentes e assaltos não é condição que qualquer um aceita.

Além disso, muitos profissionais têm dificuldade em aprender a lidar com tecnologias cada vez mais avançadas nos caminhões e nos rastreadores. Tudo somado, conclui-se que não bastam cursos para formar novos motoristas. É preciso valorizar mais o profissional. O Estatuto do Motorista pode ser um começo.

Fonte: Nelson Bortolin para a Revista Carga Pesada

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Crescimento do setor de transporte de carga rodoviário estimula a busca por qualificação

O cenário econômico mundial encontra-se debilitado devido à crise que abateu-se sobre ele nos últimos meses. Mas apesar disso existem algumas áreas que ainda não sofreram nenhum efeito desta crise, uma delas é o transporte de cargas rodoviário.

O problema do setor na verdade está em outra área, o de mão-de-obra. Empresas do setor avaliam que existam 40 mil vagas abertas para motoristas de caminhão no país.

Porém, para dirigir atualmente um caminhão não adianta apenas tirar a carteira de motorista é preciso mais.

O principal motivo é a qualificação da mão-de-obra, hoje o motorista precisa entender de tecnologia, isto devido ao fato dos caminhões serem em sua maioria monitorados via satélite e para isto são equipados com computadores.

A qualificação desta mão-de-obra aumenta a falta de profissionais no setor, já que não existe uma renovação de trabalhadores nesta área e os profissionais antigos sentem dificuldades em se adaptar as novas exigências.

“Existem muitos motoristas com mais idade que hoje estão fora do mercado exatamente pela dificuldade de buscar essa qualificação”, diz Rosane Confortini, coordenadora de treinamento do Sest-Senat.

O número de mercadorias que circulam pelo país pela malha rodoviária está em expansão, hoje são 60%. Com este aumento o profissional deste setor está cada vez mais procurado, mas as empresas não querem apenas experiência na estrada, exigem qualificação.

“O profissional que está qualificado e com a prática necessária para viajar nesse país tem o emprego imediato”, calcula Kagio Miura, diretor do sindicato das transportadoras.

No entanto, o grande crescimento do setor está estimulando os profissionais a buscarem a qualificação. Os motoristas estão deixando as estradas para estarem nas salas de aula.

“Vendo que o país está em expansão e está crescendo bastante, com profissionais cada vez mais qualificados, vim buscar mais conhecimento na área”, comenta o aluno Márcio Fernandes.

A intenção do Serviço Nacional de Transporte é formar 67 mil motoristas ao ano. São 138 unidades em vários estados.

Lembrando que para ser um motorista profissional antes de tudo é preciso ter habilitação especial nas categorias D ou E.

Fonte: Portal Viracopos