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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Gristec revela os dez mandamentos da prevenção ao roubo de cargas

De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional de Veículos Automotores), o mercado de caminhões novos obteve acréscimo de mais de 15% no acumulado de janeiro a setembro de 2011, em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 129.742 unidades emplacadas.

Com isso, cresce também a demanda por transporte rodoviário de carga, além das precauções para evitar prejuízos e avarias.

Para acompanhar esta realidade, os transportadores vêm estudando uma série de possibilidades para tornar mais segura a atividade de transporte de cargas, sendo que o gerenciamento de risco é a alternativa mais eficaz.

Segundo Cyro Buonavoglia, presidente da Gristec (Associação Brasileira das Empresas e Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de rastreamento e Monitoramento), o gerenciamento começa no momento em que se contrata o frete, passa pela seleção do colaborador e só termina com a entrega da carga no destino certo.

Atualmente, este mercado oferece vários mecanismos de segurança disponíveis para reduzir as ações criminosas, como: monitoramento 24 horas e em tempo real das cargas, programa de prevenção de ocorrência de acidentes veiculares, escolta 24 horas e análise do perfil e consultas sobre motoristas carreteiros.

Buonavoglia também pontou alguns detalhes que podem ajudar no combate ao roubo de cargas e na segurança do transportador. Confira abaixo:

- Contratar uma gerenciadora de riscos experimentada, para elaboração de um plano de prevenção;
- Conhecer o perfil do profissional a ser contratado;
- Conhecer o histórico do veículo a ser contratado relacionado a eventos de roubo;
- Instalar tecnologia de rastreamento, acompanhada por uma central de monitoramento;
- Abastecer o veículo antes do carregamento;
- Selecionar as rotas previamente e evitar viagens noturnas;
- Parar em postos de serviços com infraestrutura de segurança;
- Não aceitar fretes sem o conhecimento do perfil de risco da mercadoria a ser transportada;
- Não aceitar fretes para destinos desconhecidos sem um estudo prévio de risco;
- Não traçar comentários com pessoas, sejam elas conhecidas ou desconhecidas sobre as características da carga que está transportando.

Fonte: Portal Transporta Brasil, Por Victor José

domingo, 25 de dezembro de 2011

Uso de celular ao volante é mais perigoso do que dirigir embriagado




A cada 10 minutos, uma pessoa é multada no Distrito Federal por usar o celular enquanto dirige. Quem cultiva o hábito nem sempre tem consciência do risco que corre.

Digitar mensagem de texto ao volante aumenta em 23 vezes o risco de acidente. Quem faz uma simples chamada fica quase seis vezes mais exposto, conforme aponta um estudo do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.

O número de flagrantes nas vias da capital é considerado alto pelo Departamento de Trânsito (Detran). É consenso que boa parte dos motoristas escapa impune porque a multa depende exclusivamente da ação de agentes e o quadro desses profissionais é insuficiente para garantir fiscalização eficaz.

“Eu falo sempre. Às vezes, saio de casa no Lago Sul e chego ao Tribunal de Justiça falando ao celular. Nunca bati o carro por conta disso”, admite um advogado, que preferiu não revelar o nome. Perguntado se já foi flagrado alguma vez, ele responde que não e sai sorrindo.

Com o avanço da tecnologia móvel, as pessoas falam, enviam mensagens e consultam  a  internet. Para burlar a fiscalização, utilizam-se do  viva-voz ou usam o bluetooth, quando a voz de quem chama é enviada diretamente para o sistema de alto-falantes do veículo.

Práticas que nem sequer estão previstas no código de trânsito, mas são tão ou mais graves que apenas conversar ao telefone.

Pesquisa da instituição inglesa RAC Foundation revela que 45% dos condutores ingleses usam o celular para enviar torpedos.

O estudo identificou ainda que o envio de mensagens retarda o tempo de reação em 35%, percentual bem acima da demora provocada pelo álcool (12%) no organismo. Por isso, o hábito é tão perigoso.

O agente de viagem Francisco Lucas Alves, 27 anos, reconhece o erro e concorda ser arriscado usar o telefone móvel ao volante.

A mulher dele, a administradora Ana Paula Nogueira, 23, reprova a conduta do marido. “Não quero me esquivar da responsabilidade, mas, antes de pegar o celular, observo bem se o trânsito está viável. Mas que há o risco, isso não tenho dúvida. A gente lê nos jornais diariamente e acha que só acontece com os outros”, analisa.

Na família de Francisco Lucas não falta exemplo das consequências da desatenção ao guiar um automóvel. “Meu irmão foi olhar uma mulher bonita na calçada e colidiu com o carro da frente, que acertou outro veículo. O prejuízo foi de R$ 1,5 mil. Por sorte ninguém se feriu”, relata.

Segundos fatais

Quem insiste em fazer as duas coisas ao mesmo tempo, deve ficar atento aos fatos. A matemática, a física e a medicina já se dedicaram ao estudo desse comportamento e chegaram à mesma conclusão: é impossível ter a competência exigida ao volante falando ao telefone.

Mestre em transportes e professor do curso de engenharia civil da Fundação Educacional Inaciana (FEI), de São Paulo, Creso de Franco Peixoto explica o que chama de tempos e perdas de tempos.

Segundo o especialista, é consenso mundial que a pessoa demora 2,5 segundos para começar a frear diante de um imprevisto na rodovia, com o carro a 80km/h ou 100km/h.

“É 1,5s para perceber o obstáculo inesperado e 1s para reagir”, explica. “Se a pessoa está na cidade, o tempo de reação é menor: 0,75s.”

Os pesquisadores descobriram que o condutor leva 2s para digitar dois algarismos no celular. “Ela tira os olhos da via por 2s, acessa duas teclas, olha de novo para a pista e, assim sucessivamente”, relata Peixoto.

E para quem argumenta que apenas checa quem está ligando, uma outra pesquisa da FEI calculou o tempo necessário para o motorista pegar o telefone — no banco do passageiro — e ler o número de quem está chamando.

Os estudiosos descobriram que são necessários 4,5s. “O tempo é cinco vezes maior do que o necessário para você ver o obstáculo e reagir a ele para evitar uma colisão ou um atropelamento na cidade que podem ser fatais”, destaca Peixoto.

Punição

A infração está prevista no artigo 252, dirigir utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular é infração média, punida com multa de R$ 85,13.

Em alta

Usar o celular enquanto dirige foi a quarta infração mais flagrada no DF entre janeiro e julho deste ano.

Infração - Quantidade de multas
Excesso de velocidade - 383.284
Avanço de sinal vermelho - 98.915
Falta de cinto de segurança - 30.367
Falar ao celular - 24.051  (Fonte: Departamento de Trânsito Detran/DF)


Fonte: Correio Braziliense, Por Adriana Bernardes

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Transportadores reforçam o uso da tecnologia contra roubos - Parte II

 

A conta só aumenta. Transportadores estimam que mais que dobraram os gastos com o gerenciamento de riscos e proteção a cargas, além de despesas com seguros. Itens de rastreamento, com uma parafernália de sistemas eletrônicos instalados nos veículos, e as apólices consomem até 15% da receita das operações. Segundo o diretor comercial da Transportes Tubarão, Renato Vitória, com sede em Porto Alegre, o gerenciamento de risco de cargas é tão imprescindível como o combustível que alimenta os caminhões nas estradas em todo o País. Ainda mais que o modal rodoviário responde por 60% do transporte.

Vitória diz que não há como operar com mercadorias de maior valor, como eletroeletrônicos, medicamentos e produtos petroquímicos, sem o serviço. “São tecnologias de ponta que garantem proteção e rastreamento, mas do outro lado há criminosos trabalhando para superar as barreiras”, exemplifica Vitória.

Uma das armas usadas para derrotar os sistemas é um aparelho chamado jammer. O equipamento, que tem venda proibida, pode ser comprado pela internet por US$ 100 e tem efeito de embaralhar o sinal do rastreamento. “Mesmo assim, o resultado é positivo. Não há como ir para a estrada sem a proteção”, conclui o diretor da Tubarão.

Com frota de 350 caminhões e fluxo de transporte de 40 mil toneladas ao mês, a empresa consome 6% do seu faturamento com as medidas contra os riscos, que atingem também a frota terceirizada. “Assumimos cada vez mais custos de seguro, mas temos bônus quando não há ocorrências”, diz o diretor da Tubarão. Na MS Express, o proprietário Sérgio Neto viu a conta sair de 5% da receita bruta, há cinco anos, para 13% a 15% atualmente. As ocorrências, que costumam crescer nos últimos meses do ano, também penalizam na renovação do seguro. A reincidência gera despesa que pode dobrar.

Para o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Estado (Fetransul), Paulo Caleffi, os esforços dos transportadores não serão suficientes sem uma ação contra os receptadores. Caleffi estima em 10% a fatia da receita aplicada na prevenção. Secretário-geral da Câmara Interamericana de Transporte (CIT), Caleffi entregou à OEA, em El Salvador, proposta para a adoção da receita argentina. Lá, cargas roubadas apreendidas em depósitos ou no varejo geram apreensão de todo o lote. “Acaba aquela história de o comerciante alegar que desconhecia a origem da carga”, diz Caleffi. Outra medida defendida pelas entidades nacionais é o fim da fiança para os criminosos. “Não foi o crime que se organizou, mas a sociedade que se desorganizou”, sentencia Caleffi. São Paulo criou expediente no código tributário que bloqueia o registro da empresa flagrada com produtos roubados.

A conta só aumenta. Transportadores estimam que mais que dobraram os gastos com o gerenciamento de riscos e proteção a cargas, além de despesas com seguros. Itens de rastreamento, com uma parafernália de sistemas eletrônicos instalados nos veículos, e as apólices consomem até 15% da receita das operações. Segundo o diretor comercial da Transportes Tubarão, Renato Vitória, com sede em Porto Alegre, o gerenciamento de risco de cargas é tão imprescindível como o combustível que alimenta os caminhões nas estradas em todo o País. Ainda mais que o modal rodoviário responde por 60% do transporte.
Vitória diz que não há como operar com mercadorias de maior valor, como eletroeletrônicos, medicamentos e produtos petroquímicos, sem o serviço. “São tecnologias de ponta que garantem proteção e rastreamento, mas do outro lado há criminosos trabalhando para superar as barreiras”, exemplifica Vitória.

Uma das armas usadas para derrotar os sistemas é um aparelho chamado jammer. O equipamento, que tem venda proibida, pode ser comprado pela internet por US$ 100 e tem efeito de embaralhar o sinal do rastreamento. “Mesmo assim, o resultado é positivo. Não há como ir para a estrada sem a proteção”, conclui o diretor da Tubarão.

Com frota de 350 caminhões e fluxo de transporte de 40 mil toneladas ao mês, a empresa consome 6% do seu faturamento com as medidas contra os riscos, que atingem também a frota terceirizada. “Assumimos cada vez mais custos de seguro, mas temos bônus quando não há ocorrências”, diz o diretor da Tubarão. Na MS Express, o proprietário Sérgio Neto viu a conta sair de 5% da receita bruta, há cinco anos, para 13% a 15% atualmente. As ocorrências, que costumam crescer nos últimos meses do ano, também penalizam na renovação do seguro. A reincidência gera despesa que pode dobrar.

Para o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Estado (Fetransul), Paulo Caleffi, os esforços dos transportadores não serão suficientes sem uma ação contra os receptadores. Caleffi estima em 10% a fatia da receita aplicada na prevenção. Secretário-geral da Câmara Interamericana de Transporte (CIT), Caleffi entregou à OEA, em El Salvador, proposta para a adoção da receita argentina. Lá, cargas roubadas apreendidas em depósitos ou no varejo geram apreensão de todo o lote. “Acaba aquela história de o comerciante alegar que desconhecia a origem da carga”, diz Caleffi. Outra medida defendida pelas entidades nacionais é o fim da fiança para os criminosos. “Não foi o crime que se organizou, mas a sociedade que se desorganizou”, sentencia Caleffi. São Paulo criou expediente no código tributário que bloqueia o registro da empresa flagrada com produtos roubados.

Vigilância online tem satélite e rede de apoio em caso de ataque

Um caminhão nunca está sozinho na rodovia. Pelo menos os que levam cargas mais visadas pelos ladrões como eletroeletrônicos, medicamentos, cigarros e materiais de construção. As estradas viraram palco de um autêntico big brother, com sistemas cada vez mais sofisticados de monitoramento, com uso de satélites online e rede de apoio para entrar em ação em caso de ataque.

No veículo, os equipamentos e proteções abrangem estribo retrátil, grades nas janelas, trava de direção e quinta roda, para impedir o desengate do semirreboque, controle de assento de carona e cerca eletrônica. Esta última soa o alarme caso o caminhão se desvie mais de 30 metros da estrada em manobra não prevista pelo plano de gestão de risco. “Antes de qualquer viagem, há um planejamento passado ao motorista. Não há como ir para a estrada sem proteção”, adverte o vice-presidente do Grupo Apisul, com sede no Estado, José Bento Di Napoli.

Mais de 30 itens são revisados e precisam ser validados entre a empresa e o motorista. O profissional que dirige é outro alvo, com treinamento e uso de análise de cadastro na seleção pelas empresas. A Apisul desenvolveu tecnologias de gestão de risco e proteção que são modelo no exterior. Na central nacional de operações, em Porto Alegre, centenas de profissionais monitoram caminhões em diversas regiões durante as 24 horas do dia. Eles ficam atentos a imagens de câmeras que acompanham 4 mil viagens por dia. Num mês, até 10 mil ocorrências merecem atenção, dez delas tentativas de roubo de carga, dimensiona Di Napoli. Segundo ele, a atuação reverteu em 2010 um prejuízo que poderia chegar a R$ 15 milhões em 70 episódios. “O valor se refere a cargas que deixaram de ser roubadas ou foram recuperadas graças ao nosso trabalho.”

Outra empresa, a Buonny Projetos e Serviços de Riscos Securitários, investe entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões ao ano para manter atualizadas as tecnologias usadas contra as quadrilhas. O diretor operacional da Buonny, Vagner Falconi, revela que a empresa montou este ano uma segunda base de monitoramento, chamado de prédio de redundância, que entrará em ação em caso de eventual dano à principal. “Garantimos 30% a 35% da operação normal”, assinala o executivo. Para evitar zonas de sombra ou pontos cegos das malhas de telefonia, a empresa contrata até duas operadoras para garantir cobertura do rastreador. Senhas e contrassenhas aumentam a segurança no contato com o motorista. “Cada mensagem segue um padrão para indicar um nível de risco. Há o botão de pânico, se sair da rota”, exemplifica Falconi.

Autônomos se adaptam a tecnologias

O uso de tecnologia para rastrear e monitorar cargas será item obrigatório em pouco tempo, estima o dono da Central de Informações e Fretes, de Caxias do Sul, João Carlos Brando. O agenciador que atua com uma carteira de mais de cem motoristas autônomos admite que hoje perde fretes quando não tem veículos com os mecanismos para conectar a viagem à empresa de segurança e para cumprir exigências das seguradoras. “As empresas ligam e já perguntam se tem rastreamento. É exigência mínima para transportar cargas de maior valor ou mais visadas”, reconhece Brando.

O problema é que as ferramentas de proteção estão presentes em apenas 10% dos caminhões que operam com a empresa. Segundo Brando, o equipamento básico envolve investimento entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, além do custo do aluguel para contratar o monitoramento de serviços especializados. O dono da Central de Informações e Fretes projeta que dentro de dois anos os sistemas serão quase obrigatórios. “O preço está caindo, já foi 50% mais caro”, diz Brando. A agência negocia com fornecedores da tecnologia para adquirir um maior volume e reduzir os valores.

O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado e de Santa Catarina (Fecam), Éder Dal’Lago, reforça que a preocupação é em como dar conta dos novos custos. Dal’Lago afirma que em muitos casos os contratantes fornecem o equipamento, como o rastreador, principalmente quando é transportadora. “Mas o bandido sabe onde está o aparelho e o desarma. O comboio é mais eficiente quando se trata de cargas de maior valor”, opina o dirigente. O autônomo sofre ainda mais quando tem o caminhão roubado. Muitos ainda estão com financiamento por pagar e perdem o meio de obter o sustento. O presidente da Fecam observa que as ocorrências estão fazendo muitos profissionais migrarem para ônibus ou abandonarem a atividade. “É uma profissão cada vez mais perigosa. Você pisca o olho e acontece o roubo.”

Seguradoras ficam mais seletivas e exigentes

Os ataques e os prejuízos aumentam cada vez mais as exigências das seguradoras, que restringem os produtos nas apólices. Com sinistro que ultrapassa 60% do valor dos prêmios, empresas deixam de atuar com cargas rodoviárias. Hoje meia dúzia de companhias mantém o setor em seu portfólio.

Ao mesmo tempo, ocorre a transferência da contratação para o embarcador, que assume a cobertura dos sinistros. E companhias expurgaram de suas carteiras alvos fáceis, como cigarros, e elevaram o grau de proteção para eletroeletrônicos e medicamentos.

O gerente de transportes da Chubb, uma das maiores operadoras do ramo no mundo, Amílcar Spencer, admite que são privilegiados clientes que adotam medidas mais eficazes. “Não dá para imaginar hoje que a transportadora não saiba onde está a carga.” A Chubb não segura cigarros e metais preciosos. Eletroeletrônicos e remédios são analisados caso a caso. “Não somos os únicos que não adotam esta estratégia”, diz .

A Mapfre é rigorosa em relação a nichos de cargas, de celulares a pneus, mas não chega a expurgar segmentos. “Não temos um tipo de carga que não fazemos seguro. Analisamos o risco de cada apólice”, explica o gerente de transportes da companhia, José Rodolfo Guimarães. O aumento das exigências e do rigor no planejamento de risco, com uso intensivo de equipamentos de rastreamento, reduz a incidência de roubos, acrescenta o executivo.

Fonte: Jornal do Comércio - RS

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Transportadores reforçam o uso da tecnologia contra roubos - Parte I


Não são apenas os consumidores que esperam os últimos lançamentos de aparelhos celulares. O quitute tecnológico é um dos preferidos dos piratas das rodovias. Num ponto da BR-386, entre Montenegro e Lajeado, que conecta o Norte e a região central gaúcha a diversos destinos, e por onde transita boa parte da riqueza produzida ou consumida pela economia local, o caminhão conduzido pelo experiente motorista Marcelo Vieira foi atacado.

Era madrugada de um dia de agosto passado, e, em menos de 30 minutos, a quadrilha sumiria com o carregamento de celulares. A ousadia chama a atenção por mais um motivo. Foi o segundo roubo sofrido por Vieira em menos de um mês e na mesma estrada. De nada adiantou a proteção com alarmes e monitoramento por satélite. Casos como o do motorista desafiam cada vez mais transportadores, indústrias, seguradoras e os segmentos de segurança privada e pública.

“O bandido me abordou, mandou baixar o vidro e apontou uma pistola. Não tive reação”, recorda Vieira. A velocidade com que o veículo foi alvo dos bandidos e só uma das faces de quanto o crime evoluiu, impondo mais investimentos em proteção e prevenção aos golpes. “É um jogo de gato e rato”, traduz o dono da MS Express, Sérgio Neto. Para driblar as artimanhas, as empresas de Neto usam cada vez mais estratégias de escoltas e alterações em roteiros, tentando escapar da mira das quadrilhas. Os transportadores também cobram maior ação da área fiscal com os comerciantes que receptam os frutos dos roubos. “Se há alguém que comete o crime é porque há alguém interessado em vender o produto no mercado”, atenta Neto.

Cargas como a de celulares estão no ranking das mais visadas pelos ladrões. Também poderiam ser facilmente identificadas, em batidas no varejo. “Basta rastrear quem habilitou o aparelho e ver onde ele comprou a mercadoria e ir lá”, sugere o transportador, que soma sete ocorrências este ano, sendo cinco apenas no trecho da BR-386 onde Vieira foi atacado. O saldo já é maior do que em 2010, que terminou com três registros. Mesmo assim, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) atribui a redução registrada nos roubos no País em 2010 a mais investimentos em gerenciamento de risco, com medidas e tecnologias para prevenir as ocorrências. De 13,5 mil registros em 2009, o volume caiu para 12,8 mil no ano passado. Os casos envolveram prejuízo de R$ 880 milhões, ante os R$ 900 milhões do ano anterior.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Rio Grande do Sul (Setcergs) também identifica leve recuo dos roubos nas estradas locais, que somaram 133 registros no período ante 155 em 2009. A conta com as cargas que deixaram de chegar ao destino teria ficado em R$ 80 milhões, cerca de 10% do desfalque nacional. Por outro lado, a entidade flagra uma expansão nos furtos de cargas, com elevação de 64 (2009) para 84 (2010), que ocorrem quando o caminhão está parado carregando ou descarregando a mercadoria.

O assessor de segurança da NTC&Logística, Paulo Roberto de Souza, aposta também em um forte trabalho de inteligência das entidades, com integração a órgãos de segurança, além de aperto da fiscalização das áreas da Receita estadual. “Os estados devem criar grupos de trabalho para discutir mudanças na legislação, afiar as estruturas de operação e estratégias contra o roubo de cargas”, assinala Souza, que é coronel da reserva do Exército.

Segundo Souza, São Paulo, onde circula a metade da riqueza nacional, é exemplo no aperto contra este tipo de crime. “O problema é que depois ele migra a outras regiões”, revela uma fonte. Souza cobra ainda a regulamentação da lei, aprovada em 2006, que criou o Sistema Nacional de Combate ao Roubo de Carga. “O sistema ajudará a interligar as ações entre os estados, que hoje são isoladas”.

Caminhões novos são monitorados

O presidente do Setcergs, José Carlos Silvano, diz que o grupo criado pela entidade aumentou a interface entre as empresas e autoridades. “Orientamos os transportadores a adotar mais segurança, com busca de gestão de risco e mapeamento de locais mais suscetíveis a ataques”, explica. A estimativa é que 100% da frota nova de caminhões seja monitorada. O problema é que apenas 20% dos 240 mil veículos que circulam pelas rodovias estão nesta condição. “Quem transporta cargas mais visadas não tem como não ter a proteção”, adverte o presidente do Setcergs. Até porque nem as seguradoras aceitam clientes sem esta garantia. “O rastreamento permite identificar pontos negros nas estradas e definir planos de ação.”

A área de segurança pública do Estado, que não tem estatística oficial das ocorrências, busca combater as quadrilhas, que agem com maior intensidade em rodovias já identificadas, entre elas a BR-386, seguida pela BR-290 (que corta o Estado de leste a oeste), e a Região Metropolitana. O titular da Delegacia de Repressão ao Roubo e ao Furto de Carga, Rodrigo Bozzetto, garante que as ações têm conseguido interceptar as quadrilhas, mas admite que entre Triunfo e Montenegro há muitas áreas para esconder mercadorias. “Prendemos mais de 50 pessoas em 13 operações. Atuamos com a Polícia Rodoviária Federal e empresas de gestão de risco”, diz o delegado. Segundo ele, a ação contra os bandidos é dificultada pela migração para outros tipos de crimes e pela legislação, que permite fiança para os presos. O secretário estadual da Fazenda, Odir Tonollier, informa que a área de fiscalização e combate à sonegação fiscal age com apoio da Brigada Militar. São 13 postos fiscais em locais estratégicos e mais 50 equipes volantes em rodovias. Quando há indicação de crime ou dúvida quanto à origem, o caso é encaminhado à autoridade policial.

Fonte: Assessoria de Segurança/NTC&Logística.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Gerenciamento de risco é alvo de queixas de transportadores


PGRs complicados e múltiplos, exigências das seguradoras e dificuldades técnicas com rastreadores são principais reclamações das empresas de transportes

O sistema de gerenciamento de risco necessário para diminuir o impacto do roubo de cargas no transporte brasileiro está se transformando em um pesado fardo a ser carregado pelas empresas que operam em nosso País. As transportadoras são obrigadas a investir, em média, 15% de seu faturamento em ações de segurança e gestão de riscos, como seguros, sistemas de rastreamento, escolta, procedimentos de prevenção, cadastros de motoristas e empregados operacionais e tantos outros itens para tentar não ser vítimas das quadrilhas de roubo de cargas.

Em todo o Brasil, o crime organizado gerou mais de R$ 1 bilhão em prejuízos para o transporte e a logística por meio do roubo de cargas, engordando as estatísticas da violência e espalhando o medo e a desconfiança no cenário do transporte nacional. Hoje, não se transporta uma carga que não esteja segurada com pelo menos uma apólice e resguardada por um forte esquema de segurança.

O tema da insegurança no transporte brasileiro é antigo e complexo. São muitas as preocupações e obrigações para as transportadoras. O sistema de gerenciamento de risco em oferta hoje no País apresenta falhas e práticas nada simpáticas às empresas operadoras do transporte. Rastreadores perdem o sinal, centrais de gerenciamento não conseguem atender à demanda, seguradoras e corretoras impõem diversos entraves e procedimentos por meio do Planos de Gerenciamento de Risco.

“Uma empresa de transporte de carga fracionada, por exemplo, pode ter que cumprir até 74 procedimentos de gerenciamento de risco todos os dias. Isso é humanamente impossível. Além disso, o transportador tem que consultar os dados do motorista e pagar por isso em 18 cadastros diferentes. Seria muito mais lógico unificar os cadastros”, disse Urubatan Helou, presidente da transportadora Braspress, em um evento sobre gerenciamento de risco realizado nesta quinta-feira em São Paulo pelo SETCESP, Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região.

Helou expôs a uma plateia com mais de 300 pessoas, formada por empresários do transporte, representantes de seguradoras e corretoras de seguros, profissionais e empresários do gerenciamento de risco, imprensa e convidados do SETCESP. Ele evidenciou a situação das transportadoras, que estão tendo que despender tempo e energia para cumprir os planos de gerenciamento de risco. “Muitas vezes o gerenciamento de risco demora mais que a própria operação de carregar ou descarregar o caminhão. Além disso, estamos vivendo uma situação de compra casada, já que o os gerenciadores de risco apareceram por uma exigibilidade das seguradoras. Afinal, qual é o papel das gerenciadoras, se as transportadoras já têm procedimentos para cumprir as obrigações do seguro? “, indaga o empresário.

Para os transportadores, algumas soluções parciais podem ajudar a minimizar os problemas. “Uma dessas soluções seria unificar os cadastros por meio de uma entidade de classe que represente todas as empresas de gerenciamento de risco. Outra solução é unificar e padronizar os PGRs. Uma solução definitiva seria a desobrigação compulsória do RCTRC. Acho um absurdo ser obrigado a fazer um seguro que no meu entendimento deveria ser facultativo. É esta obrigatoriedade que leva no nosso setor a essas deformações”, complementa Urubatan Helou.

Fonte: Leonardo Andrade,  Portal Transporta Brasil