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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Os círculos viciosos e virtuosos do transporte

Esta é minha coluna desta quinzena, que é publicada no portal Logweb:

Por Eduardo M.R. Lopes


No transporte rodoviário de cargas há uma premissa universal que diz que “caminhão parado no pátio é prejuízo”; seja porque não há mercadorias para serem transportadas (talvez porque a frota esteja mal dimensionada, a atividade econômica esteja em baixa, etc.) ou porque ele simplesmente está impossibilitando momentaneamente de fazê-lo (talvez porque esteja em manutenção, etc.).

Desta forma, a principal preocupação dos gestores de frota é justamente fazer com que os caminhões literalmente não parem, pois a bem grosso modo isto significa que a frota está bem dimensionada e que a transportadora está exercendo a sua atividade a pleno vapor, o que resultará no final do mês em resultados positivos e no crescimento do negócio. Será mesmo?

Se formos analisar apenas o que é feito com os caminhões, que ao lado dos motoristas são os bens mais preciosos das transportadoras, veremos que nem sempre o fato de os termos todos na rua o tempo todo significa eficiência operacional e dinheiro no bolso, pois a transportadora pode ter entrado no chamado “círculo vicioso da ineficiência” sem ter percebido. A lógica é simples: como a infraestrutura rodoviária no Brasil e o nível de qualificação dos motoristas ainda são muito baixos, o uso intensivo dos caminhões acabará gerando um desgaste excessivo nas peças, que por tabela necessitarão de um maior tempo para troca/reparo, o que diminuirá a vida útil do veículo e reduzirá o seu valor de revenda. Ou seja, o fato isolado dos caminhões rodarem vinte e quatro horas por dia carregados não quer dizer, em absoluto, que o somatório destas entregas no final do mês gerará lucro para as transportadoras – muito pelo contrário. Até mesmo porque há outro círculo vicioso importante, que é o do próprio mercado do transporte rodoviário de cargas em si, onde independente da otimização da frota e da atividade econômica do país (que também vive de ciclos), como há poucas barreiras de entrada neste setor, há um aumento natural e quase irracional da oferta de serviços de transporte (seja através de frota própria ou através da frota de autônomos), forçando assim a diminuição dos valores dos fretes. Com menos dinheiro no bolso e a necessidade de não deixar os caminhões parados, o nível de manutenção acaba sendo inadequado ou simplesmente postergado, o nível de renovação acaba sendo baixo, os motoristas acabam fazendo jornadas extras, os caminhões andam com sobrepeso, aumentando assim o risco de acidente de estradas, gerando perdas tanto em vidas para a sociedade como também em mercadorias para os contratantes destes serviços de transportes. E uma vez havendo continuamente a intersecção destes dois ciclos, o final da história invariavelmente será sempre o mesmo: a “morte súbita” (ou quase) das transportadoras, independente delas andarem com os seus caminhões sempre carregados ou não (o que agrava ainda mais a situação).

E há solução para sairmos destes círculos viciosos e entrarmos num círculo virtuoso genuíno? Sim, como já comentamos de certa forma na coluna “A gestão comportamental e os custos invisíveis”, a partir do momento em que as transportadoras começarem efetivamente a utilizarem ferramentas que as permitam fazerem a gestão do comportamento dos motoristas ao volante e aliarem isto às boas ferramentas para a gestão operacional (além de investirem em capacitação, tecnologia e terceirização), este círculo se inverterá, pois os motoristas passarão a dirigir com mais segurança, reduzindo assim os custos por km rodado, aumentando a produtividade e a vida útil dos caminhões, e gerando maior competitividade para as transportadoras não só se manterem, como principalmente prosperarem neste mercado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Transportadores com melhor desempenho recebem Prêmio da revista Transporte Moderno


A 24º edição do prêmio Maiores do Transporte e Melhores do Transporte, da revista Transporte Moderno, reuniu mais de 500 pessoas no hotel Unique, em São Paulo, entre empresários, representantes de companhias privadas e estatais, presidentes de sindicatos e personalidades ligadas ao setor. Representando o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, também prestigiou a cerimônia, que neste ano homenageou três pioneiros dos transportes – os empresários Thiers Fattori Costa, Belchior Saraiva e Myrthis Setti Braga.

Além de premiar aquelas que apresentaram os melhores resultados no balanço financeiro, neste ano, a revista Transporte Moderno também destacou as maiores companhias do setor.

Entre operadores do transporte, a Vale, Transpetro, MRS, Auto Viação 1001 e Metrô-SP venceram tanto na categoria Melhores quanto Maiores. Também levaram o prêmio Maiores a JSL, TAM, Breda e SPTrans.

Ainda como Melhores, receberam o prêmio, na categoria operadores, a Tegma, Unicargo, Gol Linhas Aéreas, Real Brasil e Transporte Flores. Entre as Melhores da indústria, ganharam o prêmio a Usiminas, Vipal, Marcopolo, Fiat Automóveis, Randon, Embraer, Usiminas Mecânica e STX Niterói.

As empresas premiadas como as Melhores de serviços foram a Petrobras Distribuidora, Correios, Distribuidora Automotiva, Petrobras – Petróleo Brasileiro, Ecovias, Prodata, Andrade Gutierrez, Totvs, Sascar, Prosegur, Banco Volvo e Banco do Brasil.

O concurso de Pintura de Frotas, em sua 43ª edição, premiou a Fiel Turismo (Macaé, RJ), no segmento de Transporte Rodoviário de Passageiro e a Via Verde (Manaus, AM), no setor de Metropolitano de Passageiros.  Já no Transporte de Carga, a Gardênia Express Logística (Maringá, PR) ficou com o prêmio.

Fonte: Revista Transporte Moderno

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PAC 2: transportes têm 86% das obras em ritmo adequado


Até o final de setembro, a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) concluiu apenas 1% dos valores empreendidos na área de transportes.

No entanto, de acordo com os dados apresentados ontem (22) pelo governo federal durante o segundo balanço do programa em 2011, 86% dos investimentos estão em ritmo adequado, 10% demandam maior atenção e 3% foram classificados como preocupantes. Ao todo, foram executados R$ 1,6 bilhão na área.

O PAC 2 prevê quase 8 mil quilômetros de obras em rodovias e recursos para a manutenção de mais 55 mil quilômetros.

De acordo com o balanço, 66% das obras estão em fase de projeto ou licenciamento, 7% em processo de licitação e 26% sendo executadas.

O documento destaca, como principal resultado do terceiro trimestre do ano, na área de rodovias, a conclusão de 505 quilômetros de estradas pelo país.

Ainda de acordo com o estudo, há 3,1 mil quilômetros de obras de ferrovias sendo executados, com destaque para o trecho sul da Ferrovia Norte-Sul, a Nova Transnordestina e a Ferronorte.

A crise pela qual passou o Ministério dos Transportes resultou na revisão de diversas licitações. “As rodovias e ferrovias estão todas em revisão.

Em algumas, a revisão já foi concluída, outras estão em andamento. Temos a expectativa de finalizar essa revisão em dezembro.

Todas as que não foram retomadas em 2011, serão retomadas até o primeiro trimestre de 2012″, disse a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior.

Na área de energia foram executados R$ 16,1 bilhões para a entrada em operação de quatro usinas hidrelétricas, 11 usinas termelétricas, nove de energia eólica e duas pequenas centrais hidrelétricas – totalizando um potencial de 2.532 megawatts (MW) de energia.

De acordo com o balanço, até o final de setembro foram construídos 882 quilômetros de linhas de transmissão, em sete empreendimentos de produção de óleo e gás e em três gasodutos.

Considerando o valor dos empreendimentos, na área de energia, o PAC 2 concluiu 3% das obras, enquanto 88% encontram-se em ritmo adequado, 7% demandando mais atenção e 1% em ritmo preocupante.

O balanço informa que 66% dos empreendimentos estão em fase de obras, 16% na etapa de projeto e licenciamento e 15% no processo de licitação.

A matriz energética recebeu, no terceiro trimestre de 2011, mais 514 MW de potencial de geração de energia. Isso se deve à entrada em operação de seis termelétricas (344 MW), seis usinas eólicas (164 MW) e uma pequena central hidrelétrica (6,5 MW).

Mais 29.004 MW serão acrescidos à capacidade de geração energética do país, com a conclusão das obras em andamento.

São 13 hidrelétricas (21.930 MW), 27 eólicas (682 MW), oito pequenas centrais hidrelétricas (149 MW), e 34 térmicas (6.242 MW).

Além disso, há 24 linhas de transmissão de energia sendo instaladas, totalizando 8.459 quilômetros de linhas.

Na área de petróleo, oito campos iniciaram sua produção efetiva nas bacias Potiguar e Sergipe-Alagoas, ambas em terra. Também entrou em operação a Plataforma P-56, no Campo de Marlim Sul, instalado na Bacia de Santos.

Entre julho e setembro, a indústria naval registrou a contratação de 102 embarcações. No mesmo período, 33 foram entregues.

Atualmente, nove petroleiros estão sendo construídos nos estaleiros Atlântico Sul (PE), e nos estaleiros da Ilha e da Superpesa (RJ).

Fonte: Agência Brasil, Por Pedro Peduzzi, Yara Aquino e Daniel Lima

sábado, 19 de novembro de 2011

Novo ônibus à pilha entra em testes no próximo ano

Com intuito de reduzir as emissões de gases poluentes, as montadoras estão investindo no desenvolvimento de ônibus mais ecológicos.

A Mercedes-Benz e a Volvo já têm modelos mais sustentáveis. A primeira a linha BlueTec 5, que emite menos partículas.

Também está apostando em um combustível mais amigável do ambiente, em fase de testes em São Paulo e no Rio.

A Volvo anuncia o ônibus híbrido, movido à eletricidade e a diesel, que começa a ser fabricado no Brasil em 2012.

Em 2012, a Coppe/UFRJ lançará um ônibus elétrico. A Coppe testa há mais de um ano o ônibus H2, um veículo híbrido elétrico, que pode ser alimentado de três formas: por uma tomada ligada à rede elétrica tradicional, por uma pilha a combustível (hidrogênio) ou por meio da regeneração da energia cinética dos freios.

A tecnologia verde é uma exigência dos governos. No Brasil existe o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve- P7), que exigirá a partir de janeiro de 2012 redução de 80% nas emissões de partículas e 60% nas emissões de óxidos de nitrogênio.

Para estimular o interesse dos fabricantes, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluiu no Programa de Sustentação do Investimento (BNDES PSI) financiamento de ônibus elétrico e híbrido.

Uma das condições é que os equipamentos sejam acessíveis a deficientes físicos, o que não acontece em modelos convencionais. Neste mês deverá ser divulgada a lista dos projetos escolhidos.

Carlos Henrique Malburg, gerente do Departamento de Desenvolvimento Urbano do BNDES, informou que a participação do banco por projeto chega a 90%, e as taxas são de 5% ao ano. A vigência do PSI vai até dezembro de 2012.

A nova linha de ônibus da Mercedes-Benz foi concebida com o mesmo sistema usado na Europa. Ricardo Silva, vice-presidente de ônibus América Latina da Mercedes-Benz, explica que o motor reduz o volume de emissões de óxidos de nitrogênio por meio da conversão em nitrogênio puro e em vapor de água, inofensivos à natureza. Cerca de 200 veículos já foram vendidos para clientes de São Paulo e 150 para o Rio.

Outra aposta é um ônibus que usa diesel feito de cana-de-açúcar. O projeto, testado em São Paulo em 2010, em ônibus urbano da empresa Santa Brígida, abastecido com 10% de diesel de cana, mostrou redução de 9% nas emissões.

A Mercedes faz parceria da Amyris Brasil, fabricante que desenvolveu o diesel de cana no país, da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro e da Petrobras Distribuidora.

A fase de testes será concluída na Rio+20, Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá no Rio de Janeiro, em junho de 2012.

A pré-produção de veículo híbrido da Volvo começa no primeiro semestre de 2012, na fábrica de Curitiba. Os primeiros 60 ônibus serão comprados por operadoras do sistema de transporte público de Curitiba, conta Luís Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America. A empresa realizou testes com o ônibus em três capitais - Curitiba, São Paulo e Rio.

A tecnologia permite economia de diesel de até 35% e reduz as emissões de gases poluentes entre 80 e 90%.

O ônibus tem dois motores, um a diesel e outro elétrico, que funcionam em paralelo ou de forma independente.

O elétrico é utilizado para arrancar o ônibus e acelerá-lo até uma velocidade de aproximadamente 20 quilômetros por hora, e também como gerador de energia durante as frenagens. O ônibus híbrido deverá custar em torno de R$ 700 mil.

A Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) criou o ônibus elétrico híbrido a hidrogênio, que não utiliza combustível fóssil e está em fase de testes na Cidade Universitária na Ilha do Fundão. Tem tecnologia 100% nacional e com emissão zero de poluentes.

Tem autonomia para 300 km. Segundo Miranda, o hidrogênio pode ser obtido a partir de muitas fontes: qualquer material orgânico serve (inclusive restos da agricultura, da agropecuária, dejetos de animais, esgoto humano etc).

Segundo Paulo Emílio Valadão de Miranda, chefe do Laboratório de Hidrogênio (LabH2) da Coppe, a universidade está desenvolvendo outros dois ônibus: um totalmente elétrico e outro híbrido a álcool, que combina a eletricidade obtida da tomada elétrica e armazenada em baterias com a eletricidade produzida a bordo por um grupo motor-gerador a etanol.

Na opinião do pesquisador, para que o projeto seja viável comercialmente é preciso que os governos estimulem a divulgação, incluindo-o nas compras governamentais, como é feito na Europa e no Japão, por exemplo.

Fonte: Valor Econômico, Por Regina Teixeira

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Restrições para caminhões em São Paulo vão elevar inflação no País

Pagamento de adicionais noturnos a empregados (que chegam a até 100% do valor do salário) e custos adicionais para o transporte à noite (como reforço nas equipes de escolta e vigilância).

Para o diretor de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, a restrição anunciada ontem pela Prefeitura terá impacto direto no custo das mercadorias que circulam pela cidade e, consequentemente, no preço - o que elevará os índices de inflação no País inteiro, diz ele.

“Estamos vivendo uma política de avestruz. Escondemos a cabeça na terra e esperamos os problemas se resolverem”, diz.

Os problemas, afirma ele, são a falta de estrutura logística e de transporte público na capital. “Isso é um reflexo da ineficiência de gestão e do escoamento de dinheiro decorrente da corrupção, que paralisa novas obras.”

Para Cavalcanti, uma agravante da restrição é o fato de o Rodoanel ainda não estar pronto. “Em Pequim, há três rodoanéis ao redor da cidade. Aqui, ainda está pela metade.”

O anúncio da restrição à circulação de caminhões na manhã de ontem também surpreendeu o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), Francisco Pelucio.

Ele reprovou a medida e solicitará uma audiência com o prefeito Gilberto Kassab e o secretário municipal de Transportes e presidente da CET, Marcelo Branco.

Francisco Pelucio disse que esteve há 15 dias com Kassab e o prefeito nada comentou sobre a medida.

“Não tinha data, não tinha nada. Está faltando respeito com o transporte rodoviário de carga. O poder público está brincado com nosso setor.”

Concentração. Para o Setcesp, as empresas de transporte de carga sediadas na zona norte serão as mais prejudicadas.

Pelucio diz que grande parte das 7 mil companhias na capital estão em bairros como Casa Verde, Limão, Santana, Vila Maria e Vila Guilherme.

“Restringir a passagem por São Paulo é uma coisa, mas tem as empresas que estão aqui dentro. Tem de ter licença especial. Chegando às 5 horas a São Paulo, onde os caminhões vão ficar parados se não tiverem por onde entrar? É o horário em que mais se roubam veículos”.

Fonte: O Estado de S.Paulo, Por Bruno Ribeiro e Felipe Frazão

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília lideram ranking de mobilidade urbana sustentável


Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília são as três capitais brasileiras com melhores notas no ranking de mobilidade urbana sustentável do Instituto Mobilize Brasil, divulgado no último dia 15/10.

Das nove capitais pesquisadas, São Paulo e Cuiabá tiveram a pior avaliação. Foram analisados indicadores como quantidade de vias adequadas ao uso de bicicletas, número de mortos em acidentes de trânsito e percentual de ônibus acessíveis aos portadores de deficiência física.

Na escala de zero a dez, o Rio de Janeiro recebeu destaque em razão de três fatores: o uso expressivo de transporte coletivo - apenas 13% dos cariocas usam carro ou motocicleta para deslocamentos -, o reduzido número de vítimas fatais em acidentes em comparação à população - 5,4 a cada 100 mil -, e pelos 240 km de ciclovias, número que continua aumentando.

Já a capital paranaense apresentou o maior percentual de ônibus adaptados ao transporte de portadores de deficiência física: 90% da frota.

Outra vantagem é o menor número de mortos em acidentes de trânsito – 5,2 pessoas a cada grupo de 100 mil. Um ponto negativo é o fato de 25% dos curitibanos utilizarem veículos individuais ou motocicletas para viagens cotidianas.

A terceira colocação, de Brasília, é resultado da proporção de quilômetros de ciclovias disponíveis, a maior entre as cidades pesquisadas - 42 km para um sistema viário de aproximadamente 1.600 km.

Mais um item positivo é a elevada renda média dos moradores da capital federal, o que lhes dá a oportunidade de adquirir mais viagens de ônibus ou metrô. Como pontos negativos, o estudo listou o trânsito violento e o baixo número de ônibus adaptados.

Por sua vez, São Paulo teve a pior nota por causa da forte presença do automóvel no cotidiano dos paulistas, aproximadamente 30% usa o transporte individual, além do alto valor da tarifa de ônibus na cidade.

Mais um ponto negativo foi o espaço para ciclovias: apenas 35,7 km para mais de 17 mil km de ruas. A capital paulista também registrou o segundo pior índice de mortes por acidentes de trânsito, ficou à frente apenas de Brasília.

Inicialmente, a proposta era avaliar 13 capitais - Fortaleza, Goiânia, Manaus e Recife estavam na lista -, mas a ausência de dados resultou na exclusão dessas cidades do estudo, em 2011.

Mobilidade Urbana Sustentável

Elaborado pelos jornalistas do Mobilize Brasil, o estudo foi feito com base em dados de órgãos governamentais, institutos de pesquisa, universidade e entidades independentes.

Segundo o Instituto, mobilidade urbana sustentável é a integração inteligente entre vários modais de transporte, com a maior eficiência e conforto possível aos passageiros e com o menor impacto ambiental possível.

Fonte: CNT, Por Rosalvo Júnior

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Transportes receberão investimentos de R$ 16,8 bilhões no próximo ano


O setor de transportes deve receber no próximo ano, por meio do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal, R$ 16,8 bilhões, número 2,7% maior do que o orçamento atual. A infomação foi foi publicada no PLOA - Projeto de Lei Orçamentária Anual 2012, enviado pelo Ministério do Planejamento no dia 31 de agosto ao Congresso Nacional.

Deste total, cerca de 75%, ou R$ 12,7 bilhões, serão destinados ao modal rodoviário, para a realização de obras de construção, adequação, manutenção e recuperação de estradas, além de investimentos em sistemas de pesagem e controle de velocidade.

O setor ferroviário deverá receber 16% do total, cerca de R$ 2,7 bilhões. Dentre os projetos para este setor está o Trem de Alta Velocidade (TAV) , que ligará as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas.

Para os portos brasileiros serão destinados R$ 903 milhões. Hidrovias e aeroportos contarão com R$ 301 milhões e R$ 30 milhões, respectivamente. Os demais R$ 151 milhões serão destinados à gestão do PAC.

Os cálculos do governo foram feitos a partir de uma estimativa de 5% de crescimento no PIB – Produto Interno Bruto, além de inflação de 4,8% e taxa de juros de 12,5%.

Fonte: A Tribuna, SP

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Estudo aponta alta média de 22% no frete, desde 2006

 
Os custos médios com frete passaram de R$ 67,00 por tonelada em 2006 para R$ 82,00 por tonelada em 2011, um aumento de 22% para carga seca transportada em carreta, graneleiro e em rotas  de 700km. Os dados são de pesquisa divulgada pelo Instituto ILOS. O aumento dos custos pode ser atribuído à sobrecarga dos sistemas para o transporte de mercadorias, o que tem aumentado o tempo de espera e os gastos com logística no País.
 
O crescimento médio do volume de mercadorias transportadas no Brasil foi de 4% ao ano de 2004 a 2010, acompanhando a expansão média de 4,4% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB) no período. Segundo a pesquisa, 87% de toda a carga é transportada através das rodovias, mas 42% das grandes empresas brasileiras querem reduzir o uso do modal rodoviário para o transporte de seus produtos.
 
"A capacidade de transporte já está praticamente esgotada há alguns anos, então crescer 4% ao ano é um desafio e tanto", afirmou Paulo Fleury, CEO do Instituto ILOS, no Fórum Internacional de Logística, no Rio de Janeiro. "A fabricação de caminhões cresce 12% ao ano. Nunca houve um crescimento assim. Há uma espera de seis a doze meses para conseguir comprar um veículo novo. O País não estava preparado, foi um lado ruim do crescimento do PIB". Fleury contou que entre as décadas de 80 e 90, a média de fabricação de caminhões era de 50 mil unidades por ano. Hoje, o número de caminhões fabricados está em quase 200 mil ao ano. "Isso está batendo com a capacidade das montadoras. Vamos ter que importar caminhão se a economia não der uma esfriada, a não ser que os projetos de novas fábricas comecem a produzir veículos para atender a demanda", previu o CEO do ILOS.
 
De acordo com o estudo, 18% das empresas declararam ter dificuldade de contratar serviços de transporte, devido à falta de frete. Como resultado dos problemas para conseguir caminhões, caminhoneiros autônomos trabalham com sobrepeso e jornadas excessivas, de até 48h sem dormir, e transportadoras voltam a colocar veículos velhos para rodar nas estradas. A idade média da frota de caminhões brasileira é de 22 anos, enquanto a da frota americana é de apenas 7 a 8 anos, lembrou Fleury. "O Brasil usa caminhão muito mais do que deveria. Temos uma matriz desbalanceada. Não temos grandes projetos ferroviários, por exemplo, para entrar em operação. Ainda são só projetos", alertou o especialista em logística. A pesquisa do Instituto ILOS foi realizada com 100 entre as mil maiores empresas no País.
 
Fonte: Agência Estado

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quem quer ser caminhoneiro?


Aparentemente, pouca gente, dada a grande carência que o setor de transportes e logística vive atualmente, de profissionais do volante

A crise da empregabilidade no Brasil está se agravando e o setor de transporte de cargas e logística é uma das vítimas mais evidentes do problema. Por alto, cerca de 10% da frota de caminhões das empresas estão ociosos por falta de motoristas.

Somente no Mato Grosso, um dos principais centros logísticos do País, as transportadoras estão com cerca de mil vagas em aberto, sem pretendentes e sem candidatos para preenchê-las.

Mas, afinal, o que está acontecendo com esta profissão tão conhecida de todos. Será que ninguém mais quer ser caminhoneiro no Brasil? Parte desta resposta está na boca dos motoristas de caminhões que o Portal Transporta Brasil entrevistou na última semana. Em sua maioria, os profissionais estão cansados das condições de trabalho que a profissão oferece.

A própria carreira está em baixa, com sua imagem arranhada e com falta de motivação e atrativos para novos adeptos, fator que atrapalha a formação de toda uma nova geração de caminhoneiros.

De fretes baixos a estradas ruins, passando pelo roubo de cargas, pelas péssimas condições para a descarga de mercadorias, os maus tratos por parte de alguns embarcadores e pela falta de perspectivas, o caminhoneiro brasileiro hoje não quer recomendar a carreira, não quer passar seu legado profissional para os filhos.

“Prefiro que meus filhos estudem e não passem pelo que passei”, respondem os caminhoneiros em uníssono. Mas quem estuda não pode ser caminhoneiro? Esta profissão não requer um bom nível de conhecimento e formação.

Parece que os valores estão deturpados e que o transporte e a logística brasileira terão que fazer muito mais do que organizar eventos com palestras para expor o problema ou manter o assunto em pauta em seus veículos de comunicação. O problema é basal, requer soluções drásticas que não aparecerão em curto prazo.

Onde estão as cabeças pensantes do setor, que podem ajudar a propor novas soluções?

Fonte: Leonardo Andrade, editor-chefe do Portal Transporta Brasil

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Transporte não anda sem planejamento


“É preciso tecnologia e planejamento”, com estas palavras, Rodrigo Vilaça, diretor executivo da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários) resumiu o foco dos próximos passos a serem dados pelos representantes do transporte nacional, cujo propósito principal é a integração dos modais.

Em evento realizado na Transpo-Sul, que contou com a presença de representantes dos setores ferroviário, aéreo, rodoviário, marítimo e dutoviário, Vilaça afirmou que o desenvolvimento do País passa pelo planejamento adequado, investimentos em logística e aplicação da tão falada multimodalidade para impulsionar o escoamento de produtos.

Com relação ao segmento ferroviário, o executivo salientou que o modal precisa crescer baseado nos pilares equilíbrio econômico-financeiro, fator operacional e atenção ao novo marco regulatório do setor. Ele afirmou que as ferrovias, inclusive as localizadas próximas aos portos, precisam de mais recursos para operar com eficiência e competitividade.

Um outro incentivo aos investimentos na integração entre os modais veio do setor marítimo. Gustavo Costa, gerente-geral de cabotagem e serviços do Mercosul da Aliança Navegação e Logística, relatou na oportunidade que um dos diferenciais dos portos deve ser a integração com as ferrovias e rodovias. “A multimodalidade é um fator competitivo. É preciso investir nessa área”, disse.

De acordo com matéria publicada no site da CNT (Confederação Nacional do Transporte), em relação ao setor rodoviário, Cloraldino Severo, ex-ministro de Estado dos Transportes, destacou que a opção por um modal não deve ser aleatória, ou seja, sem planejamento e avaliação prévia.

Para ele, existem fatores decisivos como localização geográfica da carga e extensão dos deslocamentos que precisam ser considerados. Severo frisou a importância do modal e disse que ele responde por 58% do transporte de cargas no Brasil.

Tecnologia

Roberto Tejadas, presidente da Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul), salientou que o modal dutoviário tem potencial para conquistar mais espaço, mas para isso acontecer o setor precisa superar alguns desafios. “Temos vantagens como o transporte de grandes quantidades e a diminuição do tráfego de produtos perigosos nas estradas”, revelou.

Segundo ele, entre os problemas enfrentados pelo segmento dutoviário estão a baixa vida útil da malha atual, desperdícios e pouco investimentos em tecnologia e inovação.

Fonte: Webtranspo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Gerenciamento de risco é alvo de queixas de transportadores


PGRs complicados e múltiplos, exigências das seguradoras e dificuldades técnicas com rastreadores são principais reclamações das empresas de transportes

O sistema de gerenciamento de risco necessário para diminuir o impacto do roubo de cargas no transporte brasileiro está se transformando em um pesado fardo a ser carregado pelas empresas que operam em nosso País. As transportadoras são obrigadas a investir, em média, 15% de seu faturamento em ações de segurança e gestão de riscos, como seguros, sistemas de rastreamento, escolta, procedimentos de prevenção, cadastros de motoristas e empregados operacionais e tantos outros itens para tentar não ser vítimas das quadrilhas de roubo de cargas.

Em todo o Brasil, o crime organizado gerou mais de R$ 1 bilhão em prejuízos para o transporte e a logística por meio do roubo de cargas, engordando as estatísticas da violência e espalhando o medo e a desconfiança no cenário do transporte nacional. Hoje, não se transporta uma carga que não esteja segurada com pelo menos uma apólice e resguardada por um forte esquema de segurança.

O tema da insegurança no transporte brasileiro é antigo e complexo. São muitas as preocupações e obrigações para as transportadoras. O sistema de gerenciamento de risco em oferta hoje no País apresenta falhas e práticas nada simpáticas às empresas operadoras do transporte. Rastreadores perdem o sinal, centrais de gerenciamento não conseguem atender à demanda, seguradoras e corretoras impõem diversos entraves e procedimentos por meio do Planos de Gerenciamento de Risco.

“Uma empresa de transporte de carga fracionada, por exemplo, pode ter que cumprir até 74 procedimentos de gerenciamento de risco todos os dias. Isso é humanamente impossível. Além disso, o transportador tem que consultar os dados do motorista e pagar por isso em 18 cadastros diferentes. Seria muito mais lógico unificar os cadastros”, disse Urubatan Helou, presidente da transportadora Braspress, em um evento sobre gerenciamento de risco realizado nesta quinta-feira em São Paulo pelo SETCESP, Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região.

Helou expôs a uma plateia com mais de 300 pessoas, formada por empresários do transporte, representantes de seguradoras e corretoras de seguros, profissionais e empresários do gerenciamento de risco, imprensa e convidados do SETCESP. Ele evidenciou a situação das transportadoras, que estão tendo que despender tempo e energia para cumprir os planos de gerenciamento de risco. “Muitas vezes o gerenciamento de risco demora mais que a própria operação de carregar ou descarregar o caminhão. Além disso, estamos vivendo uma situação de compra casada, já que o os gerenciadores de risco apareceram por uma exigibilidade das seguradoras. Afinal, qual é o papel das gerenciadoras, se as transportadoras já têm procedimentos para cumprir as obrigações do seguro? “, indaga o empresário.

Para os transportadores, algumas soluções parciais podem ajudar a minimizar os problemas. “Uma dessas soluções seria unificar os cadastros por meio de uma entidade de classe que represente todas as empresas de gerenciamento de risco. Outra solução é unificar e padronizar os PGRs. Uma solução definitiva seria a desobrigação compulsória do RCTRC. Acho um absurdo ser obrigado a fazer um seguro que no meu entendimento deveria ser facultativo. É esta obrigatoriedade que leva no nosso setor a essas deformações”, complementa Urubatan Helou.

Fonte: Leonardo Andrade,  Portal Transporta Brasil

sábado, 2 de julho de 2011

As deficiências da logística no Brasil

Os gargalos que as distribuidoras enfrentam, como o alto preço do frete e dos pedágios, risco de roubos de cargas e malha viária mal conservada e insegura, tornam o transporte pelo modal rodoviário ainda mais caro

Por Luiz Fernando Buainain

Transportar e distribuir medicamentos exige cuidados extremos para que, ao chegar às mãos do consumidor, o produto esteja com a qualidade inalterada. Controlar a temperatura, umidade e assegurar a integridade das embalagens pode não ser tão complicado em um caminhão, mas há milhares deles nas estradas, o que dificulta o controle e a fiscalização. Os gargalos que as distribuidoras enfrentam, como o alto preço do frete e dos pedágios, risco de roubos de cargas e malha viária mal conservada e insegura, tornam o transporte pelo modal rodoviário ainda mais caro. E todos pagamos o preço.

Partindo desta linha de raciocínio, por que não utilizar outro tipo de transporte para evitar estes problemas? A resposta não é tão simples. Para o transporte de grandes volumes e carga com produtos sensíveis de alto valor agregado, como é o caso dos medicamentos, a logística rodoviária ainda representa o melhor caminho. Os Estados Unidos, um país de grandes dimensões como o Brasil, também utilizam esse tipo de transporte majoritariamente, já que a flexibilidade e o fácil acesso dos caminhões a diversos tipos de lugares também são pontos que favorecem na hora da distribuição.

O Departamento de Transporte dos Estados Unidos avalia a eficiência desse modal por parâmetros como segurança, energia, oferta de transporte e meio ambiente. No Brasil, a questão da segurança é um capítulo à parte, já que os medicamentos estão entre as cargas mais visadas por quadrilhas altamente especializadas. Os preços elevados dos combustíveis, a alta média de idade da frota, muitos gastos com manutenção e o pequeno número de empresas que utilizam ferramentas de tecnologia da informação para ganhar em produtividade são outros fatores que contribuem para aumentar os custos, refletindo na perda de competitividade.

As alternativas ao transporte rodoviário não se apresentam como boas opções. Nosso país sempre foi carente de transporte ferroviário, com ferrovias mal distribuídas, sucateadas e concentradas na região Sudeste. Nas aeronaves, as despesas com combustíveis e manutenção são altas e não há possibilidade de transportar grandes volumes. Mais baratos que rodovias e ferrovias, as hidrovias e o transporte de cabotagem não chegam aos lugares mais distantes e de difícil acesso.

Com uma das maiores malhas viárias do planeta, o modal rodoviário também é o mais utilizado no Brasil para transporte de mercadorias entre os países do Mercosul. Diversos acordos buscaram maior facilidade, com trâmites fronteiriços simplificados e ampliação da segurança para a circulação de veículos e condutores. E mesmo com toda essa importância estratégica, a maioria das estradas brasileiras não oferece boas condições de trafegabilidade. Muitas não são nem asfaltadas.

Enquanto o transporte rodoviário de medicamentos for a melhor forma de abastecer cada cidade nos mais de 8,5 milhões de km² de extensão do território nacional, é preciso desenvolver melhorias contínuas na regulamentação do modal e nas estradas do País. O investimento no setor de transporte, como acontece lá fora, reflete no aumento da eficiência econômica de qualquer país. Assim, o medicamento pode ter um preço mais competitivo e, consequentemente, mais justo para o consumidor.

FONTE: Portal Administradores

terça-feira, 21 de junho de 2011

Setor de cargas sofre para atrair caminhoneiros

“Sem caminhão, o Brasil para”, dizia a velha frase de para-choque exposta em milhares de veículos pesados que circulam pelas rodovias brasileiras. Nos últimos tempos, isso não acontece mais. Sobra caminhão no Brasil. O que falta são caminhoneiros.

“Grandes empresas têm ficado com 100 a 150 caminhões parados por falta de condutor”, diagnostica Francisco Pelucio, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp).

Nos cálculos da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística), o setor precisa atrair 120 mil motoristas por ano. “Há um claro desinteresse pela profissão”, diz o presidente da entidade, Flávio Benatti.

Sem motoristas e com caminhões parados, cargas ficam no pátio, sob o risco de paralisar fábricas e entregas ao comércio, causando milhões em prejuízos.

Enquete da própria NTC & Logística mostrou que 43% dos executivos do setor apontaram a falta de motoristas e ajudantes como o principal fator de limitação do crescimento em 2011.

Vendas recordes de veículos

A formação de novos motoristas não acompanha o ritmo de vendas de caminhões. No ano passado, 157 mil veículos pesados foram licenciados, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Até maio de 2011, quase 70 mil veículos grandalhões receberam autorização para trafegar.

Uma pequena parcela dos novos caminhões substitui a frota antiga, calculada em 2,1 milhões de veículos, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) – a idade média da frota é de 16,5 anos. Mas a maior parte depende do ingresso de novos motoristas.

Um dos problemas é a falta de desejo dos jovens de enfrentar estradas mal conservadas, roubos de cargas, em jornadas de trabalho quase solitárias de 10 a 12 horas numa cabine, longe da família por semanas ou até meses. Sem falar, as reclamações recorrentes quanto à remuneração diante dos riscos relacionados à profissão.

“Hoje, em dia, um motorista que leva uma carga de R$ 1 milhão recebe cerca de R$ 1 mil por um frete percorrendo vários Estados. É um despropósito”, diz Ailton Gonçalves, advogado do Sindicato dos Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo (Sindicam), que defende algumas propostas no Estatuto do Motoristas, projeto de lei do Senado, que está em audiência pública.

Carga Pesada

As peripécias dos caminhoneiros Bino e Pedro, personagens do seriado de TV "Carga Pesada", parecem ter ficado para história. “Antigamente, o pai caminhoneiro levava o filho para trabalhar. Com 15 anos, ele já tinha decidido que queria ser motorista e, aos 18 anos, começava a paixão por ser caminhoneiro”, diz Pelucio, do Setcesp. “Isso não existe mais.” Outro fator é a exigência maior por capacitação dos motoristas para entender as inovações introduzidas pelas montadoras de caminhões mais sofisticados.

Ao contrário do passado, quando a força física do motorista fazia a diferença, hoje se exige dos jovens um grau maior de conhecimento – no mínimo segundo grau - para assimilar as técnicas de direção em frente a um painel cheio de botões e sistemas eletrônicos.

As empresas têm se esforçado a mitigar o problema. “Fazemos de 6 mil a 7 mil treinamentos de motoristas por ano nas várias ações voltadas aos clientes das nossas concessionárias”, diz o gerente de treinamento de pós-vendas da Mercedes-Benz, Ricardo Furuya.

Além dos já tradicionais sistemas de rastreamentos e de freios, os caminhões têm saída das fábricas com mais tecnologia embarcada, o que obriga os motoristas a conhecerem as melhores formas de dirigir o veículo e economizar combustíveis, um dos itens que bem pesando cada vez mais no bolso das transportadoras de cargas.

O caminhão mais moderno da montadora alemã, da linha Actros, lançado em 2010, traz desde sistemas de orientação de faixa de rolagem (que alerta o motorista quando o caminhão sai da via) ao controle de proximidade (que ajusta a distância regular com o veículo da frente).

Para Benatti, da NTC & Logística, a imagem do motorista de caminhão, apontado pela sociedade como um vilão das grandes metrópoles por impedir a mobilidade urbana, precisa mudar.

“Não foram os motoristas que planejaram mal as cidades ou deixaram de investir na infraestrutura brasileira”, diz Benatti. “Se a sociedade não fizer um esforço conjunto para valorizar a profissão, isso será pior para o próprio País.”

FONTE: IG

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sustentabilidade logística: é possível?

Por Carlos Delpupo, gestor da divisão Sustentabilidade da consultoria Keyassociados

Até recentemente transportar cargas ou pessoas de um lugar para o outro parecia uma lógica que fugia a discussão de sustentabilidade que a sociedade começava a demandar de outros negócios que eram percebidos como mais impactantes em termos sócio-ambientais principalmente.

Em se tomando exemplo das discussões em mudança do clima, o setor ficou de fora do primeiro período de compromissos do Protocolo de Kyoto dadas as dificuldades de atribuir os impactos causados por esse setor a países, uma vez que essa é a lógica do Protocolo.

Em geral, as empresas também buscaram atuar fortemente em reduzir seus impactos nas atividades fim de seu negócio, e o setor de transportes inicialmente foi pouco demandado em ações e investimentos. Como em uma análise de “Pareto”, onde busca-se identificar os problemas mais relevantes e atuar neles, a área de logística das empresas ficava muitas vezes para depois, pois seu impacto se diluía frente as outras atividades.

O que acontece é que o cenário mudou, as empresas vêm resolvendo seus problemas e logística começa a entrar na alça de mira, bem como os consumidores passaram a perceber que esse setor representa fator de grades impactos no seu dia a dia.

De novo analisando sob a ótica de mudança do clima, o mundo sabe que transportes contribuem significativamente para as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) e no Brasil, com a adoção pelo país de compromissos voluntários de redução de emissões, e ao entendermos que o setor de transportes, depois da mudança do uso da terra (desmatamento, entre outros), é o maior responsável pelas emissões brasileiras de GEE, começamos a entender que esse setor é fonte das potenciais soluções que necessitamos para honrar com os compromissos assumidos. Em resumo, o setor entrou de vez no foco das discussões.

Só para reforçar, cada vez mais empresas e consumidores se preocupam com sua pegada de carbono e cada vez vão precisar se preocupar mais. A justificativa é simples, para conseguirmos segurar a temperatura do planeta em uma elevação máxima de 2o C, segundo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima, em sua sigla em inglês), precisaríamos reduzir as emissões dos países desenvolvidos em 80% em relação ao ano base de 1990 e estabilizar as emissões de países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia nos níveis de 1990. Simplificando o discurso, isso quer dizer que a lógica aponta para muito mais pressão de redução de emissões e que o setor de transportes vai ser pressionado nesse sentido.

A competitividade de setores e empresas e a sustentação dessa é dada pela capacidade desses setores e empresas anteverem cenários e se anteciparem a eles. Nesse sentido, entender sustentabilidade como parte fundamental de seu negócio e se posicionar de forma a considerar os riscos e oportunidades pode ser a diferença entre existir e não existir no futuro. Pode ser a métrica fundamental de diferenciação de concorrentes e posicionamento consistente no mercado.

Apesar dessa importância, a estrada que leva a uma forma mais eficiente de transporte ainda é um terreno pouco desbravado. Prova disso é que apenas no ano passado o Comitê Executivo da Convenção Quadro de Mudança do Clima das Nações Unidas (UNFCCC) aprovou a primeira metodologia do mundo na área de logística para projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) em transportes de carga dentro das regras do Protocolo de Kyoto.

Essa metodologia foi desenvolvida a partir de uma iniciativa em conjunto com a ArcelorMittal e demonstra a preparação da empresa para antecipar cenários e internalizar benefícios. Logo, como mostraremos na Eco Business 2011, a aprovação dessa metodologia permite que projetos de mudança de sistema de modal gerem créditos de carbono por evitarem a emissão de CO2. Isso é possível pela troca de sistemas menos eficientes energeticamente por outros mais eficientes. No caso, a substituição de transporte rodoviário, muito usado atualmente, por modais marítimos e ferroviários. Para conseguir gerar projetos de créditos de carbono, a metodologia estabelece, também, que sejam feitos investimentos diretos na implementação e funcionamento do novo tipo de transporte escolhido. Ou seja, criam-se incentivos para ampliação e melhoria da infraestrutura do País.

Segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), mais de 65% dos produtos brasileiros são transportados por rodovias, o que não e alinha com a visão econômica e sustentável que garante a competitividade que o país precisa nos cenários que se avizinham, uma vez que esse tipo de transporte tende a ser mais caro e menos eficiente energeticamente (portanto mais emissor e demandante de recursos naturais) que as modalidades mencionadas na metodologia. Isso cria uma demanda reprimida por oportunidades e soluções inovadoras que abrem ao Brasil um importante potencial a ser explorado no que diz respeito a novas modalidades logísticas.

Os gargalos estruturais existentes no país em relação ao setor de transporte de carga se devem a uma opção inicial fortemente baseada em construção de rodovias, em detrimento a investimentos em modais mais eficientes energeticamente. Nossas linhas férreas atualmente estão desarticuladas e nosso potencial aquaviário, quer seja pela utilização de nossos rios, que pela cabotagem em nossa costa, não tiveram os investimentos necessários no passado. Cabe ao país e empresários anteciparem às tendências em termos de riscos e oportunidades e transformarem isso em investimento.

A hora é oportuna para uma profunda análise do setor no Brasil, onde valores da nova economia sejam capturados pelas estratégias de negócios em discussão e gerem valor para o acionista, bem como, maior eficiência energética e por esse motivo menor impacto ambiental e valor para a sociedade. O exemplo acima demonstra que o discurso de sustentabilidade não é vazio, sendo determinante para quem quer ser competitivo hoje e no futuro.

FONTE: Portal Webtranspo