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sábado, 24 de setembro de 2011

Brasil cai 20 posições em ranking de infraestrutura


A qualidade da infraestrutura brasileira piorou em relação ao resto do mundo pelo segundo ano consecutivo. Desta vez, no entanto, o País despencou 20 posições no ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial, de 84º para 104º lugar. Em 2010, já havia perdido três colocações por causa da lentidão do governo para tirar projetos importantes do papel.

A tendência não é nada animadora. Na avaliação de especialistas, com a paralisia verificada em algumas áreas este ano a situação tende a piorar. É o caso da malha rodoviária. No ranking mundial, elaborado com base na opinião de cerca de 200 empresários nacionais e estrangeiros, a qualidade das estradas brasileiras caiu 13 posições e está entre as 25 piores estruturas dos 142 países analisados.

A preocupação é que, depois dos escândalos de corrupção no Ministério dos Transportes, muitas obras estão paralisadas. Segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, foram suspensos 41 editais, que estão sendo liberados de acordo com a prioridade do ministério.

O órgão destaca, entretanto, que esses processos estavam em diferentes estágios, alguns na fase anterior à abertura das propostas. Apesar disso, afirma que conseguiu executar R$ 1,2 bilhão em agosto. Mas será preciso bem mais energia para melhorar a posição no ranking mundial, avalia o consultor para logística e infraestrutura da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet.

Ele destaca que já esperava essa piora do País em relação ao resto do mundo. "A economia brasileira está crescendo e a infraestrutura está estagnada, em deterioração." Um dos pontos críticos, na opinião do executivo, é o sistema portuário, que recebeu nota de 2,7 pontos (quanto mais próximo de 1, pior). Com isso, a qualidade dos portos brasileiros caiu sete posições e está entre os 13 piores sistemas avaliados pelo Fórum Econômico Mundial. Entre todas as áreas, os portos ocupam a pior posição, 130º.

"Precisamos dar um salto na infraestrutura, tanto em quantidade como em qualidade", destaca o diretor executivo da Associação dos Usuários dos Portos da Bahia, Paulo Villa. Segundo levantamento feito por ele, hoje há uma demanda no País para construir 29 terminais de contêineres. Mas, por enquanto, não há iniciativas para transformar esses números em realidade.

Em Salvador, exemplifica Villa, só existe um terminal de contêiner, que está sendo ampliado. Há projeto de uma nova área dentro do porto público, mas a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) deu 36 meses para fazer a licitação. "Já se passaram 14 meses e até agora não vi nada. Só a ampliação do atual terminal não será suficiente para atender a demanda das empresas, que tem buscado portos do Sul e Sudeste para exportar seus produtos", diz ele.

Fayet, da CNA, completa que a situação é semelhante, se não pior, no Norte do País. "Em Belém, a capacidade de exportação é zero; em São Luiz, o limite de 2 milhões de toneladas não muda há 18 anos; e em Santarém, o volume é o mesmo há dez anos. Não houve nenhuma expansão em uma área que poderia atender a expansão do agronegócio."

Lentidão. A maior crítica é que, apesar da forte demanda e da existência de locais disponíveis, o governo não faz licitações de áreas públicas nem permite que a iniciativa privada faça terminais privativos.

"O governo é muito moroso para liberar a construção de um porto. Só de terminais públicos, há cerca de R$ 6 bilhões aguardando liberação", destaca o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli.

Desde que o novo ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, tomou posse as decisões estão um pouco lentas. O ex-prefeito de Sobral, no Ceará, demorou algum tempo para tomar pé da situação e entender como funciona o sistema portuário. Enquanto isso, várias medidas importantes esperam por solução, como a tarifa pelo uso do espelho d’água (área onde ficam os navios)nos portos, que tem afastando investimentos privados, afirma Manteli. A cobrança foi suspensa, mas ninguém sabe o que ainda pode acontecer.

"O empresariado está bastante pessimista em relação à infraestrutura brasileira", afirma o coordenador do Núcleo de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda. A fundação é responsável pelos dados brasileiros constantes no Relatório Global de Competitividade do Fórum Econômico Mundial.

Ele afirma que a qualidade das ferrovias brasileiras foi a que recebeu a menor nota: 1,9 ponto - a mesma classificação dada pelos empresários em 2009. Apesar disso, o setor caiu 4 pontos no ranking. "É uma sinalização de que os outros países, que em 2010 estavam atrás do Brasil, conseguiram melhorar a sua infraestrutura", afirma o coordenador. Ele conta que no geral a infraestrutura brasileira recebeu nota de 3,6. "É uma posição muito ruim para o País."

Fonte: Renée Pereira / O Estado de São Paulo

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dura realidade


por Daniel Rela para Revista O Carreteiro

Os caminhões constituem cerca de 6% da frota nacional de veículos em circulação, mas estão envolvidos direta ou indiretamente em 25% de todos os acidentes de trânsito registrados no País. Os motivos apontados vão da alta velocidade e do uso de rebite por parte do motoristas à realidade da malha viária. Um cenário que exige atuação conjunta de governo, transportadoras, carreteiros e a sociedade.

Anualmente acontecem mais de 85 mil acidentes envolvendo veículos de carga nas rodovias federais e estaduais, que acarretam oito mil mortes e prejuízos em torno de nove bilhões de reais, conforme afirmação de Dárcio Centoducato, diretor de gerenciamento de riscos da GPS Logística.

Envelhecida e saturada, a malha rodoviária brasileira contribui para a ocorrência de muitos acidentes envolvendo caminhões, como relata o assessor nacional de comunicação da Polícia Rodoviária Federal, Inspetor Alexandre Castilho. "Se o País continuar optando pelo transporte rodoviário, ótimo, mas é preciso disponibilizar recursos imediatos. As nossas estradas não suportam a atual frota de caminhões, porque a maioria delas foi construída na década de 70, quando os caminhões pesavam 18 toneladas e hoje eles pesam mais de 60", explica.

Para desafogar as estradas, o governo criou em 2007, o PNLT (Plano Nacional de Logística e Transportes), com foco na utilização do modal ferroviário. No entanto, de efetivo nada funciona até hoje. Segundo o Secretário de Política Nacional de Transporte, Marcelo Perrupato, o plano prevê a construção de 11.800 quilômetros de ferrovias a um custo estimado de R$ 48 bilhões. Entre os empreendimentos que o governo está trabalhando neste setor estão a Ferrovia Transnordestina (que ligará os Portos de Suape/PE a Pecém/CE), as extensões da Ferrovia Norte-Sul (ligando Panorama/SP, Porto Murtinho/MS e Anápolis/GO) e a Ferrovia Oeste Leste (que vai do porto de Ilhéus/BA até Barreiras/BA). A expectativa é de que trabalhando integrados os modais vão otimizar a logística de transportes, reduzir custos e permitir aos exportadores brasileiros obterem maior competitividade no mercado internacional. O PNLT projeta que o setor ferroviário demandará R$ 150 bilhões em investimentos até 2013.

O constante aumento da frota, outro fator que prejudica o tráfego e reduz o tempo de vida das rodovias, é identificado por vários órgãos ligados ao setor. Para se ter uma ideia desse crescimento, dados divulgados pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) mostram que o número de caminhões saltou de 1,3 milhão em 2008 para 1,5 milhão no final de 2010. Em apenas dois anos, as estradas e ruas brasileiras ganharam 200 mil caminhões. De acordo com a ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, a atual frota de veículos dos transportadores é de pouco mais de 1,3 milhão, mas o órgão confirma que muitos ainda não estão cadastrados e podem ter migrado para outras atividades ou estão rodando ilegalmente.

O Plano Nacional de Logística e Transportes parece funcional, mas o Brasil precisa de soluções imediatas para diminuir o alto número de acidentes nas estradas e o processo mostra-se burocrático e demorado. Especialistas dizem que é preciso atuar na "frente" do problema: a falha humana. Estatísticas da Polícia Rodoviária Federal apontam que 90% dos acidentes são causados por falhas do motorista.

O carreteiro Ricardo Montilho Gil, 56 anos de idade e 30 de profissão, relata os dois lados do problema. Ele admite que muitos colegas de estrada abusam da velocidade e dos longos períodos ao volante, principalmente quando recebem por viagem. "Aí começa o uso de rebites e drogas para dirigir o maior tempo possível". Sobre as estradas, ele reforça a necessidade de investimentos. "Antigamente tinham poucos caminhões e todos lentos, agora somos muitos e alguns rápidos. As estradas pararam no tempo e tem muita coisa pra mudar. Caso contrário, muitas vidas serão perdidas", diz.

Nivaldo José Dallacosta, 45 anos e há 20 trabalhando como carreteiro, acredita que a imprudência é geral, inclusive dos motoristas de carros de passeio, mas não nega fazer longas jornadas de trabalho. "Eu faço 2.400 quilômetros, do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, em dois dias. Na primeira parada durmo uma hora e na segunda, duas ou três no máximo". Questionado sobre o uso de "rebite" ou drogas, ele é incisivo. "Não tomo nada, só café e coca-cola", gaba-se.

O uso de substâncias para "espantar" o sono é comum entre muitos motoristas, que não têm consciência sobre os riscos. "O carreteiro que dirige sob efeito de rebite não percebe os sintomas do cansaço. Conduz por até 60 horas consecutivas um veículo que pesa até 70 toneladas, a velocidade média de 90 km/h. Se ele dorme repentinamente, tem um infarto ou algum distúrbio de visão, não é preciso ser especialista para imaginar o desastre provocado por um míssil desgovernado", explica o chefe da divisão de saúde da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, Inspetor Lejandre Monteiro. Essas jornadas de trabalho excessivas somadas à ingestão de álcool e drogas, má conservação do veículo, falta de treinamento e qualificação, e ao irresponsável comportamento ao volante, retratado em ultrapassagens perigosas e velocidade acima do permitido, são as principais causas dos erros cometidos e alavancam as estatísticas de mortes. Renato Rossatto, coordenador da escola de condutores de caminhão Centronor, confirma o problema. "As falhas humanas representam mais de 90% de todos os acidentes de trânsito, o restante é dividido pelas condições adversas, mecânicas ou de pavimentação", diz. Ele afirma ainda que o consumo de álcool e drogas está presente na maior parte das ocorrências envolvendo caminhões, por isso é preciso um trabalho mais efetivo de conscientização sobre o assunto a nível nacional", completa.

Para o médico Dirceu Rodrigues Alves Junior, chefe do departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional e Diretor de Comunicação da Abramet, o problema é amplo, envolve desde a educação até a baixa remuneração do carreteiro. Ele explica que muitos não medem consequências para sustentar a família. "O importante é ganhar a maior quantia possível. O nosso motorista não tem consciência sobre os riscos de pilotar um caminhão", alerta.

Sobre possíveis iniciativas para mudar esse cenário, o coordenador de treinamento da Fabet, Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, Elygerson Alves Alvarez, critica o formato já praticado. "Primeiro é necessário levar o assunto a sério, pois campanhas e materiais didáticos infantilizados não resolveram o problema até hoje. Mudar o comportamento cultural de um adulto é muito difícil. Então, a escola regular poderia tratar o assunto dentro do seu currículo normal e de forma acadêmica, pois neste caso, o bom comportamento é uma questão de base", finaliza.

Fonte: O Carreteiro

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Investimento na infraestrutura cresce 11% e vai a R$ 146 bilhões

O volume de investimentos no setor de infraestrutura teve um crescimento real de 11% no ano passado, para R$ 146 bilhões. Quase metade desses recursos, R$ 73 bilhões, foi destinada ao setor de petróleo e gás, cujo volume cresceu 13% no ano passado. O restante foi dividido entre outras quatro áreas: transportes, energia elétrica, saneamento básico e telecomunicações.

Os dados fazem parte de levantamento anual elaborado pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que acompanha os investimentos públicos e privados feitos no Brasil desde 2003. Nesse período, o setor recebeu R$ 788 bilhões. Apesar disso, os números estão aquém das necessidades do setor, avalia o presidente da Abdib, Paulo Godoy.

Ele destaca que o País está investindo em torno de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em outras nações emergentes esse porcentual está na casa de 14%. Além disso, os R$ 146 bilhões injetados no setor incluem os projetos da Petrobrás, o que distorce um pouco a situação. No segmento de transportes, por exemplo, o volume investido foi de R$ 27,8 bilhões, destinados a rodovias, aeroportos, ferrovias, hidrovias e portos. Quase todas essas áreas estão com demanda acima da capacidade.

Opções de financiamento. De acordo com o levantamento, dois setores registraram queda no volume de investimento. Em telecomunicações, os recursos aplicados em novos projetos e melhorias caíram 5,32%, de R$ 16,9 bilhões para R$ 16 bilhões. A área de saneamento, que representa a maior carência do Brasil, teve redução de 3,84% nos investimentos, de R$ 7,8 bilhões para R$ 7,5 bilhões.

Para Godoy, os números são reflexo da falta de mecanismos para financiar os projetos de infraestrutura, de longa maturação. "Não temos funding (recursos). O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está no limite, já que tem de financiar tudo", afirma o executivo. Na avaliação dele, esse é o maior desafio para elevar a trajetória de investimento do País.

Ele lembra que, há anos, a Abdib vem alertando para o problema, que apenas será resolvido com o fortalecimento de fontes de financiamento alternativas ao BNDES.

Isso inclui fundos de investimento em participação e a criação de um mercado secundário de títulos - instrumentos previstos na Medida Provisória 517, que a Câmara dos deputados aprovou na semana passada e falta passar pelo Senado.

Fonte: O Estado de S. Paulo